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Quem olha hoje para uma fotografia antiga de um ônibus da CITRAN talvez esteja diante de muito mais do que uma lembrança do transporte rodoviário.

A empresa nasceu em Além Paraíba, cresceu nas estradas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro e fez parte do cotidiano de gerações de passageiros e trabalhadores.

O começo, em 1945

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A história da CITRAN começou em 1945.

Segundo pesquisa do historiador Mauro Senra, Olney de Freitas Drumond e outros sócios fundaram a CITRAN Ltda. inicialmente para transportar os produtos fabricados pela Fábrica de Papel Santa Maria até o Rio de Janeiro.

Naquele momento, portanto, o foco da empresa ainda não era o transporte de passageiros. (Jornal Além Parahyba)

Das cargas aos passageiros

No início da década de 1950, a empresa passou por uma transformação.

Empresas que faziam ligações rodoviárias da região com o Rio de Janeiro deixaram de operar algumas rotas. A CITRAN então passou do transporte de cargas para o transporte de passageiros.

Um documento do antigo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, o DNER, referente ao terceiro trimestre de 1951, já registra a CITRAN operando a linha entre Rio de Janeiro e Porto Novo. (Hemeroteca Digital)

Era o início de uma expansão que levaria o nome da empresa muito além de Além Paraíba.

A CITRAN também circulava dentro da cidade

A presença da empresa não estava apenas nas viagens interestaduais.

Pesquisa acadêmica da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro registra que a CITRAN utilizou o prédio da antiga garagem dos bondes, em frente à fábrica de papel, e também atuou no transporte coletivo local.

Entre as linhas citadas estão:

Porto Novo ↔ São José

Porto Novo ↔ Vila Caxias

O registro menciona ainda meia passagem até a Vila Laroca. (Memória Social)

Para muitos moradores, portanto, a CITRAN fazia parte não apenas das grandes viagens, mas também dos deslocamentos cotidianos dentro de Além Paraíba.

Em 1957, a empresa já tinha 51 ônibus e micro-ônibus

Doze anos depois de sua fundação, a dimensão alcançada pela CITRAN já chamava atenção.

Uma reportagem de 1957, preservada na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, registrou que a empresa possuía 51 ônibus e micro-ônibus.

O texto da época citava atendimento a localidades de Minas Gerais e do então Estado do Rio de Janeiro e mostrava uma empresa que já havia se consolidado no transporte rodoviário regional. (Hemeroteca Digital)

Naquele mesmo ano, a direção da empresa foi transferida para o Rio de Janeiro com o objetivo de ampliar e dinamizar os negócios. (Jornal Além Parahyba)

De Além Paraíba para diferentes cidades

Com o crescimento da CITRAN, seus ônibus passaram a ligar o Rio de Janeiro a diferentes municípios mineiros.

Registros históricos citam destinos como Muriaé, Cataguases, Carangola, Manhumirim, Governador Valadares e Coronel Fabriciano, além da própria Além Paraíba.

Décadas depois, quando a empresa foi incorporada pela Auto Viação 1001, documentos relacionados à operação registravam várias dessas ligações rodoviárias. (Mobilidade Fluminense)

1982: o fim da CITRAN e o início de uma nova fase

Depois de décadas nas estradas, a história empresarial da CITRAN chegou a um novo capítulo em 1982.

Documento de registro imobiliário preserva uma informação particularmente importante: a incorporação da CITRAN Comércio, Indústria e Transporte Ltda. pela Auto Viação 1001 S.A.

O registro cita uma Assembleia Geral Extraordinária realizada em 31 de julho de 1982 e posteriormente arquivada na Junta Comercial.

A operação marcou o fim da CITRAN como empresa independente e a transferência de suas atividades para a Auto Viação 1001. (Suporte Leilões)

Uma empresa que ficou na memória de Além Paraíba

A CITRAN desapareceu das estradas com esse nome, mas não desapareceu da memória da cidade.

Fotografias de ônibus, antigos funcionários, passageiros, passagens guardadas e histórias familiares continuam ajudando a reconstruir uma empresa que nasceu em Além Paraíba e alcançou diferentes regiões de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Mais do que contar a trajetória de uma empresa, recuperar a história da CITRAN também ajuda a entender uma época em que Além Paraíba tinha forte ligação com a ferrovia, com as fábricas e, depois, com a expansão do transporte rodoviário.

E essa história ainda pode crescer.

Você viajou em um ônibus da CITRAN? Alguém da sua família trabalhou na empresa? Guarda fotografias, passagens, uniformes ou documentos?

Envie para o Alô Além. Esses registros podem ajudar a preservar mais um capítulo da memória de Além Paraíba.

Fontes consultadas

Jornal Além Parahyba, texto histórico de Mauro Senra sobre Olney de Freitas Drumond e a CITRAN. (Jornal Além Parahyba)

Mauro Luiz Senra Fernandes, projeto Além Paraíba História. (Além Paraíba História)

Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, registros do DNER de 1951 e reportagem sobre os 12 anos da CITRAN publicada em 1957. (Hemeroteca Digital)

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, pesquisa com registros sobre o transporte urbano de Além Paraíba. (Memória Social)

Registro documental da incorporação da CITRAN pela Auto Viação 1001 em 1982. (Suporte Leilões)

    CITRAN: de Além Paraíba para as estradas
    CITRAN: de Além Paraíba para as estradas
    CITRAN: de Além Paraíba para as estradas
FONTE/CRÉDITOS: Fontes: Mauro Senra / Além Paraíba História; Jornal Além Parahyba; Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional; DNER; Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); registros históricos sobre a incorporação da CITRAN pela Auto Viação 1001.